… vou correndo e não posso parar…”. Se você continuou a cantar, tenho uma notícia: você já passou dos trinta (ou é um jovem conhecedor de música sertaneja antiga).

Mas mais que saber a letra dessa música (mesmo que não goste dela), imagino que você também tenha sentido que está correndo numa longa jornada e que nem tem tempo de parar pra nada. Sente que tem que responder às influências externas, mas por um lado parece que não consegue e, por outro, nem sabe que influências são essas.

Alguns têm influências consideradas sérias, como família, emprego, casamento ou até mesmo a própria honra (palavra quase esquecida atualmente). Outros, querendo um ar mais “descolado”, afirmam ser livres dessas influências sérias, mas acabam tendo outras, inclusive relativas àquelas: a busca pelo próprio sustento, a opinião dos amigos e a posição na sociedade, o sexo e a satisfação instantânea de desejos. Ainda outros (talvez a maioria) são influenciados por um misto de todas essas coisas.

Uma coisa todos têm em comum: estão estressados e frustrados com muitas coisas, mas ainda correndo. Paulo Galdêncio afirmou, de modo até divertido, que só existem dois tipos de pessoas: as angustiadas e as frustradas – as angustiadas são aquelas que estão diante de algumas escolhas difíceis e, por isso, estão angustiadas (divididas); e as frustradas são aquelas que já escolheram, mas sentem que poderiam ter feito a outra escolha.

E o tempo não pára, o vento parece cada vez mais rápido e nossa correria atrás dele parece cada vez mais infrutífera. Mas a tecnologia não nos prometia fazer as coisas em menos tempo para ficarmos mais tranqüilos? Não temos boa parte dessa tecnologia? (Uff) tudo isso cansa só de ler! Trata-se apenas do óbvio, do que temos vivido em maior ou menor grau. Não há o que se fazer… Pode ser, mas essa frase só me faz lembrar de outro problema que tudo isso nos dá: uma coletânea de desculpas para qualquer ocasião – e não digo que sejam desculpas esfarrapadas apenas, mas também desculpas por motivos sérios e urgentes que, apesar disso, causam o mesmo efeito das esfarrapadas.

E assim não paramos para: cheirar uma flor; olhar um pôr-do-sol; bater papo com os amigos; dar atenção aos nossos filhos; desenvolver o diálogo com nosso cônjuge; consertar o casamento; largar vícios destrutivos; lutar contra a depressão; fazer algo relevante para o próximo; lutar por justiça social; ter um relacionamento real com Deus; cuidar de nossa própria vida. Ao ver essa lista, tenho certeza que você se sentiu angustiado/a (por ter que escolher por onde começar) ou frustrado/a (por já ter escolhido outras). Mas tudo bem, deve haver alguma desculpa realmente séria para isso…

Mas há outra opção, a opção de nos desnudarmos das desculpas e nos vermos como realmente somos, conhecer nossas próprias e verdadeiras vontades sem interferência da propaganda. Talvez tenhamos medo desse nosso “eu” nu, ou o achemos muito insignificante, mas é esse “eu” nu que foi feito à imagem e semelhança do Criador dele e é esse “eu” que foi alvo da preocupação do amor de Jesus. É a esse “eu” que ele diz: segue-me – porque ele sabe da capacidade que ele mesmo concedeu a esse “eu” para fazer isso por ele mesmo, sem desculpas.

Levi estava lá atrás de sua mesa com todo seu trabalho sobre ela: impostos a serem cobrados, outros a serem pagos, dívidas de uns e de outros, dinheiro extra de alguma falcatrua, todo um círculo de colegas na mesma função, uns mais outros menos corrompidos, sempre lhe fazendo convites, etc. Jesus passou e apenas disse-lhe: “segue-me”. Naquele momento era só Jesus e seu “eu”… olhos nos olhos … uma resposta sendo aguardada… Jesus chamando para a essência da vida e Levi com seus compromissos e urgências “práticas”… quanto tempo tenho para responder?… não responder é responder “não”… Então ele largou tudo e o seguiu, tomou sua própria decisão deixando de lado toda a influência externa, toda desculpa. Não se tratava de uma fuga religiosa, pois ninguém tratou mais que Jesus das questões práticas da vida. Mas era através desse contato que Levi veria tudo à sua volta, recomeçaria toda a sua vida, até mesmo suas “urgências”.

Dê um tempo agora, procure seu eu debaixo dos escombros por aí e leve-o a Deus. Quer uma ajudinha? Veja esse vídeo (só 3 minutos, largue a mão de correria):

Lembra-se de como continua o trecho da música que citei no início? (lembrou, né? hehehehe) Deixo um texto até parecido, mas infinitamente melhor:

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. (Hebreus 12.1 e 2a)

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