Lc 5.33-39

Insanidade: insistir na mesma atitude esperando resultados diferentes. 

1)       A exigência dos antigos paradigmas (33)

  • Paradigmas são conceitos e atitudes pré-estabelecidos que determinam o modo de pensar e agir das pessoas numa sociedade.
  • Jesus já havia quebrado o paradigma que dizia que ele não deveria estar com os publicanos, mas ainda era cobrado pelo paradigma que determinava o comportamento de mestres religiosos.
  • As diversas linhas religiosas da época tinham como costume a austeridade, o ascetismo e era comum que jejuassem 2 a 3 dias por semana, geralmente com mostras de desgaste físico para serem respeitados pelas pessoas.
  • Em lugar disso, Jesus se mostrava feliz, comendo e bebendo com pecadores. Isso não era atitude de um mestre religioso. Ainda hoje Jesus seria mal visto pelos próprios cristãos.
  • As religiões atuais e principalmente os vários ramos do cristianismo ainda mantêm o paradigma dos fariseus daquela época, sempre comparando e julgando os próprios religiosos.

2)       O significado perdido dos paradigmas (34-35)

  • Uma característica de muitos paradigmas religiosos é que eles perdem o sentido conforme o tempo passa e se mantêm apenas por costume (ilustração dos macacos na jaula).
  • Jejum era realmente uma atitude religiosa ordenada pelo Velho Testamento. Mas qual era seu significado? Por que ele era uma marca de pessoas religiosas e austeras? Provavelmente aquelas pessoas nem soubessem mais.
  • Mas ainda que soubessem que se tratava de uma atitude que demonstrava tristeza e pesar com relação a alguma situação específica, não eram capazes de notar que uma nova situação se fazia presente: o Messias e a Boa Nova do Evangelho.
  • Jesus trazia a figura do noivo e das bodas com sua igreja, os discípulos eram os amigos do noivo, e isso era motivo de felicidade. Cumpria-se a profecia de Isaías 54.4-10 (entre outras).
  • Entretanto Jesus não estava abolindo o jejum, mas dando-lhe seu correto significa: a tristeza e o pesar; isso seria sentido pelos amigos do noivo na ocasião de sua morte, aí o jejum faria sentido.
  • Vemos aqui a diferença entre os dois paradigmas: o primeiro leva à tristeza e à obrigação; o segundo leva à alegria e à comunhão. Somos servos ou amigos de Jesus (Jo 15.14,15)?

3)       A exigência dos novos paradigmas (36-39)

  • Muitas religiões e religiosos carregam consigo antigos paradigmas que nem sabem bem de onde vieram; e acabam tentando apenas inserir Jesus dentro desses paradigmas, chamando isso de cristianismo e considerando-o melhor apenas por ser mais “pesado”.
  • Isso seria como cortar um pedaço de roupa nova para remendar uma velha, isso estragaria as duas.
  • Quantas pessoas procuram do evangelho apenas o que interessam e tentam remendar suas velhas vidas?
  • Ele usa também a figura do vinho novo e odres novos. Os odres eram recipientes de couro de animal, eles expandiam conforme o vinho era fermentado, tomando sua forma e também o contendo, de forma que, quando velho, já não podia se ajustar à forma do vinho novo e nem se expandir de acordo com sua fermentação.
  • O paradigma antigo (baseado na obrigação e na tristeza), que mesmo igrejas cristãs insistem em manter, não pode receber o evangelho das boas novas (da alegria e comunhão).
  • Também uma nova modalidade tem surgido em nosso tempo: odres novos recebendo vinho velho. São igrejas que são super inovadoras em suas características externas, mas que carregam em seu conteúdo o velho vinho dos antigos paradigmas.
  • Quem se acostumou com o vinho velho não quer o vinho novo.
  • Vinho novo não significa toda a novidade de vento de doutrina que possa surgir (Ef 4.14), mas as novas de Jesus, as quais continuam novas e boas.
  • E é esse “vinho novo” que deve determinar a forma e o tamanho de nossos odres, seja a estrutura de nossa igreja, seja nossa própria vida.

 

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