Lc 6.1-11

 

1)      A lei do sábado como exemplo

 

  • Os dois episódios tratam da lei referente ao sábado: o descanso ordenado por Deus a seu povo.
  • Muitas leis religiosas já haviam surgido na época de Jesus, muitas eram até absurdas, mas a lei do sábado era divina e consta, inclusive, nos 10 mandamentos (Ex 20.8).
  • A Bíblia faz referência ao sábado desde o relato da criação, onde é enfatizado que no sétimo dia o próprio Deus descansou. Assim, o conceito do descanso traz a idéia de parar o trabalho para contemplar suas obras estando em comunhão com Deus. Dá sentido ao próprio trabalho.
  • Entretanto muita coisa aconteceu desde que a lei foi dada até os tempos de Jesus. O judaísmo agora procurava se reerguer depois vários problemas políticos e religiosos, isso os levava a uma maior exigência com relação à observância das leis, especialmente à do sábado, o que a tornava praticamente um instrumento de opressão ao povo, até porque era facilmente identificado se alguém estava cumprindo-a.
  • Ela ilustra o problema de muitas leis, as quais surgem como uma necessidade dentro de um contexto e como algo bom, mas que acabam sendo exigidas de maneira inflexível em qualquer ocasião, tornando-se um peso e não uma bênção.

 

2)      O objetivo da lei

 

  • Os discípulos de Jesus estavam com fome e debulhavam milho passando por uma plantação. Isso não era errado, a lei permitia que isso fosse feito (Dt 23.25), o problema é que era sábado.
  • O judeu devia se preparar para o sábado, reservando tudo o que fosse comer ou precisar, entretanto Jesus e seus discípulos não tinham nem lugar e nem renda fixa para isso. Então simplesmente lançaram mão de um recurso oferecido pela própria lei.
  • Para ensinar isso aos fariseus, ele recorreu ao episódio de Davi quando comeu pães que não lhe eram permitido pela lei (1 Sm 21.3-6), mas não foi castigado por isso por se tratar de uma questão superior à lei: a sobrevivência daquelas pessoas.
  • Ora, da mesma forma o caso de Davi fora superior à lei escrita, assim era o caso deles. E mais, o filho do homem é superior a Davi, é o senhor do Sábado e de todas as leis (Mt 5.17-20).
  • O evangelho de Marcos ainda informa esse ensinamento de forma mais específica e nos ensina o objetivo das leis em geral: “o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado (Mc 2.27).
  • Ou seja, o sábado deveria ser bênção para o homem, e não instrumento de opressão. Por isso Jesus encerra tudo na lei do amor.

 

3)      A lei para o bem

 

  • Em outra ocasião, Jesus entra na sinagoga num sábado e encontra ali um homem com a mão atrofiada. Era até provável que fariseus o tivessem levado ali para ver a reação de Jesus (v. 7).
  • Logo ele percebeu que era isso que estava em questão: não se ele manifestava o poder de Deus para curar, mas se ele obedecia rigidamente à letra da lei.
  • Já que se tratava de uma “pegadinha” e Jesus conhecia-lhes o coração, usou a situação para ensinar mais uma lição com relação ao sábado e até a lei em geral.
  • Primeiro ele ensina que deveriam pensar por si mesmos. (o que vos parece? é lícito?). A observância cega da lei leva à ignorância e faz perder até seu sentido.
  • Fazer o bem ou o mal, salvar a vida ou deixá-la perecer? Ou seja, havia questões superiores à mera obediência da lei.
  • Mais uma vez Jesus encerra a questão na lei do amor, conforme ensinou a um mestre da Lei em outra ocasião (Lc 10.25-37).
  • Aqueles homens não aprenderam a lição de Jesus, pelo contrário, se iraram e já começaram a encontrar um jeito para tirar Jesus de circulação. Antes seria só por ele ser um desobediente da lei, mas agora porque fazia pensar sobre a lei.

 

Pergunta final

 

  • Como lidamos com nossas doutrinas, leis eclesiásticas e até mesmo nossas “leis” pessoais? Colocamo-nos debaixo da lei do amor que Cristo ensinou?

 

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