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Mt 14.22-33

O contraste entre fé e superstição

a) Jesus ora (22-23)

Fora um dia de muitas emoções para seus discípulos. Era necessário que eles se distanciassem da multidão e descansassem.

Jesus, mesmo depois de tanto trabalho e contato com a multidão – mesmo necessitando de tanto descanso quanto seus discípulos – sabia que necessitava sair para orar. Talvez quisesse colocar diante do Pai suas impressões sobre a morte de João batista, o milagre que fizera e o interesse daquelas pessoas em o proclamarem rei (Jo 6.15).

Jesus, como homem perfeito de Deus, sabia que, mais que qualquer outra coisa, precisava orar.

b) Os discípulos têm superstição (24-26)

Os discípulos sentiam essas preocupações de Jesus, mas sem toda a clareza e o peso que Jesus sentia.

Entretanto o problema deles era outro, a princípio mais “palpável”: sofriam com as ondas que “açoitavam seu barco”.

Era tudo muito confuso, a pouco haviam visto um dos maiores milagres de suas vidas, mas agora estavam prestes morrer. Não era difícil que pensassem: o que fizemos para merecer isto?

Então Jesus aparece a eles andando sobre as águas. Era algo impossível, principalmente numa hora tão ruim e, assim, por sua pouca fé, foram capazes de confundir seu Mestre com um fantasma (provavelmente o que estaria causando a tempestade).

Com qual dessas atitudes nos identificamos mais? Com qual gostaríamos de nos identificar?

O contraste entre a coragem e a dúvida

a) A coragem de Pedro (27-29)

Apesar da demonstração de medo dos discípulos, Jesus não os censura, mas acalma-os.

Pedro, então, cria uma grande coragem, e pede para ir até ele, mesmo que ainda não tivesse certeza que era Jesus.

Ele acreditava que, se Jesus o chamasse, ele seria capacitado mesmo a fazer algo impossível, e ele realmente começou a fazer.

Geralmente quando se comenta esse texto, logo se destaca a dúvida que Pedro teve depois, mas importante ressaltar que, primeiramente, ele teve fé.

Às vezes evitamos acreditar em algo maior para evitarmos decepções, esse problema Pedro não teve.

Há momentos em nossas vidas que conseguimos dar grandes passos de fé, como é a conversão em si.

b) A dúvida de Pedro (30)

Mas é bem verdade que, embora Pedro tivesse demonstrado fé e coragem num primeiro momento, logo começou a duvidar.

Do que Pedro duvidava?

Ele não duvidava de Jesus, pois este estava logo à sua frente. Ele não duvidava que Jesus pudesse fazê-lo andar sobre as águas, pois já havia dado alguns passos.

Ele duvidava de si mesmo. Duvidava, talvez, que um homem tão imperfeito pudesse estar fazendo aquilo; duvidava, talvez, que fosse digno de Jesus “gastar” seus milagres com ele; duvidava, talvez, que aquele chamado fosse para ele mesmo, ou que ele fosse capaz de cumprir àquele chamado.

Apesar de tudo isso, Pedro não duvidou de algo mais importante que andar sobre as águas: ele não duvidou que Jesus salva. E gritou por ele.

Qual é nossa dúvida com relação ao chamado de Jesus? Que não seremos capazes de cumpri-lo ou que ele não nos salvará se as coisas não derem certo?

A harmonia entre salvação e adoração

Agora já não há contraste, mas harmonia.

a) A pronta salvação de Jesus (31-32)

A Bíblia diz que Jesus “prontamente” estendeu a mão a Pedro.

Embora ele tivesse duvidado e demonstrado uma grande falta de fé depois de um momento tão nobre, Jesus não o abandonou.

Jesus o questionou sobre sua dúvida a fim de que ele mesmo pensasse no que fizera.

Ainda temos uma forte cultura de merecimentos e não merecimentos em nossas igrejas.

Às vezes nós mesmos nos sentimos indignos de Jesus e achamos “nobre” afastarmo-nos para não sermos considerados “hipócritas”.

Mas a atitude correta diante de nossas falhas não é o auto-afastamento, mas o arrependimento e pedido de socorro a Jesus.

b) A resultante adoração (33)

Em todo esse tempo os outros discípulos estavam no barco com muitos dos mesmos sentimentos: medo, desconfiança, dúvida, fé, falta dela, etc.

Alguns até poderiam estar julgando as atitudes de Pedro, pensando que poderiam fazer diferente. Mas ninguém teve a coragem de Pedro, nem a dúvida e nem aquela salvação específica.

Mas a verdade é que todos aprenderam muito com o que aconteceu, era como se Pedro estivesse representando a cada um deles.

E conhecendo o poder e o amor de Jesus, não poderiam ter outra atitude senão adora-lo.

Isso é adoração: reconhecer verdadeiramente aquilo que Jesus é; aquilo que Deus é. Não apenas por informação, mas por experiência e comunhão com ele e com os irmãos.

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