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Considero este livro uma leitura necessária a todos os que se interessarem em se aprofundarem nos escritos bíblicos, especialmente aos que pregam sobre ela.

Pense, por exemplo, em qual interpretação você dá para Marcos 10.25, onde Jesus diz que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma do que um rico entrar no reino de Deus”.

Certa vez ouvi uma interpretação – e até usei há muito tempo atrás – que dizia que “fundo da agulha” era o nome usado para portas muito pequenas que havia ao longo da muralha de Jerusalém. Como à noite seus portões eram fechados, essas portinholas, que só cabiam um homem, era uma opção para entradas e saídas urgentes. Por ser muito pequena, visando apenas uma pessoa, quem quisesse passar seu camelo por ali deveria despojar o camelo de tudo o que carregava, fazê-lo ajoelhar (ou agachar) e assim ele passaria. Assim, a aplicação desse versículo seria que o rico só passaria se se humilhasse ao passar pela porta estreita, algo assim.

Essa parece uma aplicação muito bonita e verdadeira, mas um pequeno problema: é que essas portinholas ao longo da muralha nunca existiram; ou, pelo menos, nunca foram mencionadas antes do décimo primeiro século, época em que essa explicação surgiu.

Sendo assim, será correto usar esse tipo de interpretação? Qual seria a interpretação correta? A resposta está no próprio texto, pois logo após a afirmação de Jesus os discípulos, perplexos, perguntam: “neste caso, quem pode ser salvo?”; ao que Jesus responde: “para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus.

Esse é um pequeno exemplo sobre como a Bíblia pode ser mal interpretada. Muitas vezes a dificuldade não está nem na Bíblia em si, mas nos conceitos e preconceitos que já temos, aprendemos e repetimos tanto que nem mais vemos o que o texto realmente está dizendo. Outro exemplo aqui no blog mesmo é quanto ao texto sobre a oferta da viúva pobre: https://flaviogoliveira.wordpress.com/2011/09/05/jesus-elogiou-a-oferta-da-viuva-pobre-lucas-21-1-4/

É nesse sentido que esse livro é muito importante para todos os que querem ler a Bíblia com honestidade e buscando realmente nela seus ricos ensinamentos.

Ele nos dá bases importantes para levarmos em conta quando estivermos lendo o texto, perguntas necessárias para qualquer interpretação como: quem foi o autor, em que época, qual era o contexto, etc. Traça algumas diretrizes que também considero fundamentais como: um texto não pode significar o que nunca significou aos seus primeiros leitores, portanto a atualização da mensagem só pode ser feita depois de se entender o que significava originalmente; na Bíblia há tudo o que precisamos saber, mas não tudo o que queremos saber, por isso devemos evitar a tentação de forçar o texto, etc.

Também procura demonstrar quantos gêneros literários há na Bíblia como: narrativa histórica, genealogias, crônicas, leis de todo tipo, poesia variada, provérbios, oráculos proféticos, enigmas, dramas, esboços biográficos, parábolas, cartas, sermões e apocalipses. Cada uma dessas tem um modo de ser lido, ninguém lê uma poesia como se fosse uma narrativa histórica, ou uma carta como se fosse um enigma, mas cada um sendo lido ao seu modo será muito melhor entendido e enriquecedor.

E assim seus capítulos vão explicando as características das Epístolas, das narrativas do Antigo Testamento, do livro de Atos, dos Evangelhos, das Parábolas, das leis, dos Profetas, da Sabedoria e do Apocalipse.

Tudo isso numa linguagem muito acessível tanto a leigos quanto a eruditos, indicando as soluções na própria Bíblia e também o modo de usar auxílios exteriores como dicionários e comentários bíblicos. A grande ênfase é a de que cada leitor pode ser um bom intérprete, desde que use a humildade e o bom senso.

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