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ladrãonacruz 

            Depois de ser humilhado pela multidão – e pedir que o Pai os perdoasse por não saberem o que faziam – Jesus foi crucificado entre dois malfeitores, que também haviam sido condenados à morte por seus crimes.

É interessante que os dois reconhecem Jesus e os dois pedem salvação a ele.

O primeiro pede salvação de modo claramente irônico e até enraivecido. Provavelmente seria um judeu que conhecia a fama de Jesus como salvador, que esperava que ele fosse redimir Israel e libertar a todos. Entretanto ali estava Jesus pendurado na mesma maldita situação que ele.

Jesus se apresentava como salvador, como o Messias prometido e até mesmo como Deus. Como poderia estar naquela situação?! O pedido desse malfeitor era, na verdade, uma provocação a Jesus, como se dissesse: “se você fosse o que diz ser, se salvaria e também salvaria a nós”.

Na verdade a única salvação que aquele malfeitor esperava era daquela situação específica, daquela cruz de madeira onda julgava ter sido posto injustamente. Sua preocupação era consigo e com sua dor, como se o próprio Jesus não estivesse passando pela mesma.

De certa maneira ele até procura levar Jesus ao mesmo sentimento dizendo: “salva-te a ti mesmo”. Se Jesus conseguisse, então imediatamente poderia salva-lo também. Apenas desceriam de suas cruzes e nada mudaria.

Esse tipo de “salvação” ainda é muito buscado (provavelmente mais que a Salvação que Cristo oferece). Não faltam, no evangelho atual, temas como: vitória, conquista de sonhos e superação dos inimigos; como se fossem o centro da mensagem cristã e até como sinônimo da Salvação em Jesus Cristo. Também pouco se ouve sobre o conceito de pecado e de esperança, pelo contrário, a idéia básica que tem levado as pessoas a buscarem Jesus tem sido: estou sofrendo injustamente e Jesus precisa me livrar disso, afinal ele é Deus e prometeu que o faria.

Não seria esse o mesmo conceito de salvação que esse primeiro malfeitor tinha?

O outro malfeitor o interrompe. Estava ali sofrendo as mesmas dores e humilhação, mas tinha um entendimento totalmente diferente do que estava se passando.

Este, muito provavelmente, havia sido um seguidor de Jesus, cria em suas palavras, mas quem sabe por que motivo estaria ali também…

De qualquer forma, suas palavras são de exortação ao outro e de uma confissão muito firme: reconhecia que aquele que ali estava, passando pelo mesmo sofrimento, era o próprio Deus. Era uma situação dolorosa, terrível e até mesmo maldita, entretanto nem mesmo ali Deus deixava de ser Deus e aquele homem conseguia reconhecer isso.

A seguir ele não tenta se justificar, mas reconhece seu pecado. Ao mesmo tempo, reconhece que Jesus não havia cometido pecado algum e mesmo assim, estava ali com eles. Podemos até pensar: o que teria sido tão grave para que uma das pessoas de Deus precisasse chegar àquela situação?! A resposta nos mostrará a gravidade do pecado e o tamanho do amor de Deus.

É então que ele se vira diretamente para Jesus e, com muita humildade, pede-lhe: “lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. Ele cria em Jesus, tinha esperança em seu Reino e, de alguma maneira, sabia que aquela situação, embora real, não era final. Não sabia o que viria a acontecer (como os próprios apóstolos demoraram a entender), mas cria que ali estava o Salvador e que em seu Reino estaria a salvação.

Jesus, então, lhe dá a resposta mais bela e verdadeira que se poderia ouvir: “hoje estarás comigo no paraíso”. A salvação que sua fé esperava em algum tempo era, na verdade, para aquele dia, pois o Reino já estava inaugurado por Jesus; naquela cruz estava a salvação.

O Reino está presente, a salvação é hoje para todos aqueles que reconhecem que Jesus é Deus, se arrependem de seus pecados e que buscam seu Reino e sua justiça.

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