Uma tendência muito comum nas pessoas com relação ao tempo é achar que o melhor ficou no passado.

Quando eu era criança, ouvia os adultos dizerem: “a criançada de hoje não sabe o que é infância, minha época é que era boa”. Minha tendência era concordar com isso, ouvia suas histórias e pareciam bem mais interessantes que minhas poucas experiências.

Quando fiquei um pouco mais velho, comecei a ter um sentimento saudosista com relação à minha infância, então olhava para as crianças da época e dizia: “a criançada de hoje não sabe o que é infância, minha época é que era boa”. O curioso que essas crianças já são jovens hoje e dizem da infância atual: “a criançada de hoje não sabe o que é infância, minha época é que era boa”. E outros mais jovens ainda já estão dizendo isso de crianças pouco mais jovens que eles.

Esse sentimento acaba demonstrando uma grande insatisfação para com o presente e uma idealização do passado. Sim, o passado acaba sendo idealizado, pois só hoje é que damos valor há muitas coisas que passamos e procuramos entendê-las de uma maneira melhor. Também nos esquecemos de muitas coisas ruins, ou chegamos a enfatizar que hoje as coisas são piores para darmos uma atenuada nas lembranças. Dessa forma, o passado parece ser mais interessante hoje do que na época.

Dificilmente achamos nossa vida atual interessante, ouvimos história de pessoas mais velhas (já com todo seu idealismo) e sentimos vontade de estar lá. Até uma propaganda recente de uma bebida sugeria que as pessoas fizessem alguma coisa inusitada – e até sem sentido- só para ter o prazer de dizer: “eu estava lá”.

Outra tendência com relação ao passado é ignorá-lo como história mais ampla e mais realista, apesar desse saudosismo que citamos. Ao ignorar-se a história, perde-se a oportunidade de aprender com a experiência já obtida, repisando muitos erros que poderiam ser evitados, além de impedir a continuidade daquilo de bom que foi alcançado.

Mas e você? Como percebe seu tempo? Acha interessante? Ou acha que nasceu em época errada? Considera sua época a melhor de todas ou gostaria de ter algumas facilidades das crianças de hoje?

Gosto da perspectiva do autor de Hebreus nos capítulos 11 e 12. A corrida agora é nossa, temos o passado até como estímulo, mas nossos olhos estão olhando para frente, para Jesus. Nosso mundo é outro, nossos questionamentos são outros e são outras também as nossas possibilidades.

Ficar exaltando o passado como uma fuga de nosso presente não ajuda em nada. Mas considerá-lo como estímulo e, assim, dar continuidade ao que eles começaram, pode ajudar muito.

Olhar para o futuro é olhar para o Autor e Consumador da fé, Jesus, a quem pertencem o passado, o presente e o futuro. Não se trata de adivinhações, mas de esperança.

Assim, o presente é o tempo de viver o que cremos em nosso próprio tempo, com suas próprias características. É aqui que devemos ter bom senso, crítica, relevância e, principalmente, amor.

E que façamos o melhor pensando também na próxima geração.

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