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1)      Supremacia da Palavra de Deus (2 Tm 3.16,17)

Na época da Reforma, havia 3 grandes forças teológicas:

Escolasticismo: Tratava-se do uso da razão para harmonizar o significado das leis canônicas e para interpretar o sentido da tradição, utilizando categorias filosóficas de Aristóteles e Platão. Não se criava dogmas, apenas interpretava-os e harmonizava-os com as escrituras e a filosofia.

Misticismo: Era a busca do arrebatamento da alma para além dela mesma, a qual recebia uma experiência de Deus intuitiva e ás vezes extática.

Humanismo: Um método particular de aprendizado com base na redescoberta e no estudo das fontes clássicas da antiguidade, tanto pagãs quanto cristãs (incluindo a própria bíblia). Era, também, um movimento de reação ao escolasticismo, que já era caracterizado por muita especulação.

O humanismo, com sua ênfase na “volta às origens” ajudou muito à volta ao estudo da Bíblia. Mas a Reforma a colocou como única regra de fé e prática para a igreja e todas as pessoas.

Ainda hoje podemos encontrar essas forças teológicas misturadas às novas correntes que surgiram. Ainda hoje precisamos lutar para que a Bíblia permaneça suprema nas questões teológicas.

Mais ainda, há um grande desafio que a Bíblia nos traz com relação a esse conceito: a habilitação do homem para toda boa obra (v. 17) e não a transformação do homem num alienado místico.

2)      Salvação pela graça, mediante à fé (Ef 2.8-10)

A religiosidade da idade média foi caracterizada pelo medo da morte, pela culpa incessante e pela visão de um Deus desconhecido e irado.

A graça de Cristo era entendida como algo objetivo, ligado aos sacramentos da igreja, e não com a experiência espiritual com Cristo pelo Espírito Santo. O sacramento mais ligado ao perdão dos pecados era a penitência, que era uma tradução para arrependimento. Assim, o pagamento dos pecados estava em atitudes práticas, geralmente no próprio corpo. Existiam até companhia de flagelantes, que iam de cidade em cidade, se auto-flagelando pra pagar os próprios pecados e os da cidade.

Nesse contexto surgiu o pagamento de indulgências, através das quais se podia tirar almas do purgatório.

A Reforma protestante redescobriu a liberdade da salvação unicamente pela graça de Cristo, a qual também traz humildade diante de Deus (não por obras para que ninguém se glorie v.9).

Hoje ainda vemos a fé das pessoas sendo explorada para se extorquir dinheiro, ainda vemos pessoas ocupadas em trabalhar para Deus que não têm tempo de amá-lo e pessoas que se sentem mais próximas de Deus que qualquer um, devido ao seu trabalho. A graça de Cristo ainda tem sido mais teórica que prática dentro das igrejas evangélicas.

E ainda há um desafio atual: o de andarmos nas boas obras que Deus preparou para nós (v. 10). A liberdade da graça não deve trazer comodismo e indiferença, mas responsabilidade e ação.

3)      Sacerdócio universal dos santos (Hb 10.19-25)

Hierarquia: representava a realidade sacramental da qual dependiam a existência da igreja e do estado, e a cultura como um todo.

Monasticismo: representava a negação do mundo sem quaisquer concessões, embora não fosse um movimento quietista. Essa negação vinha acoplada com certos atos destinados a transformar o mundo – no trabalho, na ciência, em outras formas de cultura, na arquitetura eclesiástica, na poesia e na música. Eram também os mantenedores da ciência teológica e, talvez, da ciência em geral.

Sectarismo: era a crítica feita à igreja por causa da distância entre o que dizia e o que fazia. Expressava o desejo de grupos especiais por ideais de consagração e santificação.

Superstições populares: relíquias dos santos ou da vida de Cristo; inúmeras repetições de milagres; objetos sagrados, considerados não apenas indicadores do divino, mas como poderes que continham em si o próprio divino. O mesmo acontecia no que era considerado diabólico, o que, inclusive, superava o divino em termos de ansiedade.

O conhecimento da Bíblia e a liberdade da salvação pela graça nos levam a um novo modo de relacionamento com Deus, “um novo e vivo caminho”.

Ainda hoje encontramos igrejas buscando todas essas coisas da idade média. Muitos têm inclusive forçado uma liberdade que apenas leva ao sectarismo, o que apenas confirma esse retrocesso.

E esse pilar nos traz ainda grandes desafios: de aproximarmo-nos de modo humilde e sincero diante de Deus (22,23), apesar da intrepidez; estimularmos uns aos outros ao amor e às boas obras e não deixarmos de congregar-nos, pois sabemos que todos são sacerdotes, não só um e nem só eu.

Finalmente

Mais que comemorar a Reforma, devemos aprender com os reformadores a respondermos às questões do nosso tempo, conhecendo o grande caminho que eles já percorreram; devemos procurar vencer os desafios que ainda nos restam, não os que foram deixados propriamente pelos reformadores em si, mas pelos textos bíblicos que citamos: buscar a prática do amor e das boas obras.

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