Lucas 8.1-3

Jesus continuou a andar pelas vilas e anunciar, esse reino que perdoa, que salva e que aceita mesmo os considerados piores pecadores. Era uma mensagem inusitada realmente, difícil para o entendimento de muitos, mas impactante para tantos outros, como a mulher da passagem anterior. Assim como ela, muitas outras pessoas tiveram suas vidas revolucionadas, a ponto de levarem-nas a grandes atitudes espontâneas de agradecimento e entrega.

Valorização da mulher

Lucas procura enfatizar que muitas mulheres, a exemplo da “pecadora”, foram impactadas e passaram e segui-lo e servirem-no.

Naquela época as mulheres não podiam seguir rabinos, nem sequer falar nas sinagogas, podiam, no máximo, aprender em casa. A maioria das leis recaía sobre elas, basta ver como encontramos referência a mulheres adúlteras e pecadoras, mas pouco sobre homens adúlteros. Em muitos escritos da época a mulher era vista praticamente como um mal necessário e havia até uma discussão em alguns círculos se mulheres tinham alma.

Entretanto o evangelho de Lucas sempre enfatiza a participação das mulheres em todo o plano de Deus. Desde o início fala-se de várias mulheres que fizeram parte do plano de Deus, que foram curadas, que deram grande exemplo e que agora respondiam a tudo isso com seu discipulado e sustento. Participando ativamente do ministério de Jesus, mesmo sem uma designação especial para isso.

Restauração de vidas

Essas mulheres foram curadas de “espíritos malignos e doenças” e, mesmo sem maiores detalhes, podemos ver que se tratava de grandes transformações de vida, pois foram tiradas de tipos diversos de exclusão social. Saindo da incapacidade para a participação ativa no que transformara suas vidas e de outros, elas agora sustentavam aquele trabalho.

Seus nomes são citados rapidamente, é como se fossem personagens conhecidas dos primeiros leitores, mas o pouco que se fala sobre elas demonstra que vinham de classes e situações diferentes, mas estavam unidas pela transformação da vida e da propagação dessa mensagem.

A Maria citada na passagem era da cidade de Magdala, por isso chamada Madalena, é comum que se pense nela como a pecadora do trecho anterior, mas certamente Lucas faria menção disso, há muita especulação quanto à pessoa dela, mas o que se relata aqui é que sete demônios tenham saído dela. Uma fama terrível por um lado, ainda que não saibamos exatamente de que se tratava, mas também muito graciosa e restauradora, pois já era contada no passado.

Joana era esposa de Cuza, homem de alta posição diante de Herodes, é possível que ele seja o oficial de quem Jesus curara o filho em Jo 4.46, o tipo de acontecimento que permitiria que ela o acompanhasse e ajudasse.

É apenas citado o nome Suzana, além das muitas mulheres que o seguiam, inclusive, possivelmente, aquela “pecadora” que havia ungido seus pés, além de “muitas outras”. Tudo isso mostra o quanto Jesus era um mestre bem diferente para a época e que valorizava as mulheres em seu ministério.

Sustento por amor

Pode-se entender que eram mulheres de origens bem diferentes, imagino que tanto pobres como ricas, como Joana, mas todas seguiam a Jesus e ajudavam a sustentá-los – Jesus, os doze e os outros que o seguiam – prestando assistência com seus bens.

Pelo contexto da “pecadora” do trecho anterior, podemos entender que elas também faziam isso por gratidão e espontaneidade, querendo levar adiante aquilo que fora tão especial em suas vidas.

Mesmo que se tratasse do próprio Jesus e sua missão, havia necessidades físicas como alimentação, pouso e outras, eram humanos em lugares reais (situações que às vezes são esquecidas nas interpretações mais espiritualizadas). Entretanto, em nenhum momento vemos Jesus em busca de mantenedores e nenhum tipo de oferta a quem lhe ajudasse, mas essas mulheres se mostravam dispostas e interessadas nesse auxílio por aquilo que Jesus já havia feito em suas vidas. Demonstra uma participação real em sua missão – não uma cobrança e nem mesmo investimento.

Esse sustento era também formado por atos de amor e alegria. Essa é a essência de toda assistência cristã.

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