caminho luz escuro

Mesmo sendo notória a situação daquele cego que Jesus curou, ele primeiramente perguntou-lhe: o que queres que eu te faça? Era como se ele quisesse saber qual era a prioridade daquele deficiente visual.

O que responderíamos se Jesus nos perguntasse diretamente: o que queres que eu te faça?

A cegueira daquele homem que foi curado representa também nossa cegueira espiritual, nossa dificuldade em enxergar a vontade de Deus. Tanto a vontade que Deus quer que obedeçamos e sigamos como a vontade a ser realizada em nossa própria vida.

Neste trecho do Salmo 119 encontramos uma oração pedindo esse conhecimento de Deus como prioridade da vida. Um pedido para se encontrar o caminho certo diante de tanta escuridão:

Salmos 119.33-40 (na versão da Bíblia “A Mensagem”)

Ó Eterno, ensina-me lições de vida, para que eu possa permanecer no curso!

Dá-me percepção, para que eu possa fazer o que me mandas – que minha vida inteira seja uma longa e obediente resposta!

Guia-me pelo caminho dos teus mandamentos – gosto de viajar por essa rodovia!

Ele vê os mandamentos de Deus como instruções para vida, ensinamentos que darão sentido e razão para tudo o que possa fazer parte dela.

Não se trata de mera obediência formal, mas de uma obediência pelo reconhecimento do valor desse caminho, pelo prazer da viagem ao rumo certo.

Faz eco com aquele outro versículo tão conhecido do mesmo Salmo: lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho. Uma luz que, embora não mostre tudo à nossa volta, ilumina o caminho a seguir; e que vai ampliando conforme caminhamos.

Dá-me disposição para tuas palavras de sabedoria, não para juntar bens e riquezas com a violência.

Desvia meus olhos dos brinquedos e bugigangas, revigora-me no caminho da peregrinação.

O oposto dessa caminhada é a estagnação onde o único objetivo é juntar coisas para si – e de modo violento, já que a própria vontade é tudo o que importa.

Quando não se há objetivo – nem sentido, nem mesmo caminhada – qualquer futilidade ganha valor, qualquer distração se torna urgente e qualquer exceção se torna regra de vida. E assim a vida se torna uma bobagem.

A oração é para que isso nem chegue perto de nós, pelo contrário, que encontremos disposição para ouvir as palavras de sabedoria vindas de Deus, e que nossa ânimo para nossa peregrinação seja revigorado.

Reafirma tuas promessas para mim – promessas feitas aos que te temem.

Desvia as palavras rudes dos que me julgam, mas o que dizes é sempre muito bom.

Vê quão faminto estou pelo seu conselho e preserva minha vida nos teus justos caminhos.

Só depois de se preocupar com sua obediência – e seu caminho diante de Deus – é que fala do cumprimentos das promessas de Deus para ele. Não num sentido exclusivista, mas como promessas a todos os que temem ao Senhor e que andam por seus caminhos. Vivemos numa época muito individualista e precisamos aprender a andar juntos, sabendo que nosso Deus é o “Pai nosso” – e não apenas meu.

Há muita gente dizendo palavras rudes, julgando e dando conselhos maus; disso queremos apenas distância, mas sem deixar de procurar o que Deus nos diz, inclusive entre nós e uns aos outros. O desejo do salmista pelo Conselho de Deus é maior que sua preocupação com as palavras rudes dos que o julgam, ele está faminto pelos conselhos do Eterno  e quer, acima de tudo, preservar sua vida nesse caminhos.

No final das contas, esse é meu maior desejo, porque todo o resto se adéqua a isso.

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