De quê você precisaria para ter certeza de que Deus está falando com você?

Qual sinal você esperaria para obedecê-lo?

 

Em Êxodo 19 vemos a extraordinária manifestação de Deus para revelar seus 10 mandamentos ao povo hebreu, libertado havia 3 meses da escravidão do Egito.

Aquele povo presenciou milagres únicos e surpreendentes, o tipo de coisa que nós gostaríamos de ver. Na verdade, quantas vezes pedimos sinais muito menores para termos alguma certeza ou até mesmo a própria fé?

Tudo ali era muito novo, Deus estava salvando aquela raça da escravidão para transformá-la num povo para si, um povo que fosse diferenciado por suas ações e religiosidade; seriam sacerdotes de Deus em meio aos outros povos.

Entretanto, apesar da etnia, aquelas pessoas nunca formaram um povo, nem mesmo tiveram uma religião organizada, simplesmente ouviam a respeito dos patriarcas que os originaram. Há 400 anos eram apenas escravos do povo mais poderoso da época, com uma religião politeísta muito forte e influente, a qual dava grande ênfase em imagens de escultura e grandes monumentos. Agora Deus os chamava para ser uma nação livre e unida, com uma aliança baseada na obediência aos mandamentos e na fé em um Deus único, que não podia ser visto e nem representado por imagens. Era realmente um grande desafio.

Apesar de toda aquela libertação e dos maravilhosos sinais, aquele povo ainda reclamava muito, sentia como se tivesse sido tirado do Egito para morrer no deserto. O medo do futuro desconhecido os fazia desejar o passado, mesmo que este fosse de escravidão. Quantas vezes agimos assim diante da vida? Sentimos medo da esperança e retrocedemos, mesmo que nosso passado tenha sido incômodo.

Deus, então, para entregar-lhes seus mandamentos, utilizou uma manifestação visível espetacular com o propósito de que cressem naquilo que lhes seria anunciado por Moisés. O povo havia dito que obedeceria, viu coisas maravilhosas, temeu e tremeu; mas será que obedeceria mesmo? Teria fé o suficiente pra isso?

Moisés entregou-lhes os 10 mandamentos e voltou para a nuvem em cima do monte. Nesses mandamentos a grande ênfase estava em ter o libertador do povo como único Deus e não fazer imagens de escultura de modo algum. Mas como ele se demorava a aparecer novamente, o povo resolveu desobedecer, fazendo para si um bezerro de ouro (Êx 32).

Por que fizeram isso?bezerro de ouro

Como dissemos acima, foram 400 anos sem uma religião organizada, tendo meramente a história de um Deus de seus antepassados, o qual, se ainda existisse, havia se esquecido deles. Tudo agora era muito novo e, apesar de todos os sinais que viram, não viam esse Deus, no máximo confiavam naquele que falava em nome dele.

Mas agora, ali estavam, num deserto desconhecido, com poucos recursos e nenhuma segurança aos seus olhos. Por toda vida acreditaram que a representação de um deus era como ter o próprio deus (seja lá qual fosse) cuidando deles. Então o medo fez com que abrissem mão de suas riquezas – e até da palavra que haviam dado – para criarem um ídolo que lhes desse ao menos uma sensação de proteção.

É como nos sentimos diante da vida: gostaríamos que fosse diferente desde já, gostaríamos que não houvesse deserto, apena terra prometida. Até por um conceito equivocado sobre a soberania de Deus, nos frustramos por ele não transformar nosso mundo em céu imediatamente. Não temos paciência para ter esperança e, na verdade, não queremos ter fé, queremos ter uma imagem pronta aqui e agora. Como aqueles hebreus, preferimos ter segurança no deserto em vez de orientação para caminharmos até a terra prometida.

A desobediência do povo hebreu veio da falta de fé naquele que o havia libertado, em lugar da fé havia o medo do futuro incerto. E quando lhes faltou a fé, o jeito foi voltar às velhas superstições, as mesmas da época da escravidão, mesmo depois de terem visto tantas maravilhas

Isso demonstra muito o modo como ainda vivemos nossa fé, e não somos melhores que nenhum deles. Gostaríamos de crer e ter esperança, mas temos medo do que isto pode alterar em nosso cotidiano. Damos até a desculpa de que precisaríamos ter mais sinais, ou mais provas, mas acho mais provável que, diante das dificuldades da vida, acabássemos voltando às antigas “seguranças” mesmo assim. O principal exemplo atual é a segurança que o dinheiro parece nos dar; essa é a grande divindade atual, a qual o próprio Jesus considerou como o outro senhor a quem podemos servir, é o bezerro de ouro da nossa geração.

Assim podemos perceber como a obediência está ligada à fé, a qual gera esperança e estilo de vida. Sem isso a obediência se voltará a superstições momentâneas que dêem alguma sensação de segurança, mas que nos deixam parados no deserto sem nos levar à terra prometida.

Mas a obediência que vem da fé nos orienta nos caminho que devemos seguir.

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