Levando o nome de Deus a sério

Êxodo 20.7

Os quatro primeiros mandamentos falam a respeito do modo como o povo deve se relacionar com seu Deus: o Deus que “É” e que “Salva”. O primeiro falou sobre ele ser o único Deus, e o segundo foi contra a produção e adoração de ídolos.

O terceiro mandamento exige que o nome de Deus seja levado a sério e respeitado em todo o seu significado e profundidade. Tomar o nome de Deus em vão seria esvaziá-lo de seu significado de glória para ser usado levianamente, diminuindo sua glória e tratando-o como qualquer coisa.

Não se trata de preservar a grafia ou a pronuncia correta do nome de Deus em hebraico, como sugerem alguns, mas de reverência ao Ser de Deus que é representado por seu nome. Nome tão glorioso e infinito que nem pode ser definido e, por isso mesmo é declarado a Moisés apenas como: “Eu Sou” – “Eu sou o que sou” – ou como apresentam algumas traduções: “o Eterno”. Assim, tomar o nome de Deus em vão seria como tratá-lo como um ídolo, e não como o que Ele é.

O Deus que é único, infinito e eterno não pode ser representado por imagem alguma do que há no céu, na terra e debaixo da terra; e também não pode ter seu nome usado de forma leviana. Por isso mesmo o mandamento não fala sobre negar ou blasfemar contra Deus, mas sobre tratá-lo sem a devida devoção e reverência.

E é interessante que esse mandamento (assim como os outros) é para o povo de Deus: não tomarás o nome do Senhor, “teu” Deus, em vão. O que indica não apenas um tratamento em si, escada pra lugar nenhummas o modo como o povo se relaciona com seu Deus. Dentro de um relacionamento verdadeiro com Deus não haverá como tratá-lo de forma vã, entretanto o oposto é verdadeiro. Por isso ninguém que faça parte de seu povo será tomado por inocente, pois fazendo parte do povo, já fazem parte desse relacionamento iniciado por Deus.

Na aplicação desse conceito para hoje, podemos citar algumas influências gerais que podem nos levar a perder essa seriedade:

Nossa cultura cristã popular. O Brasil é considerado um país cristão em praticamente toda a sua história, de modo que muitos símbolos, palavras e expressões cristãs estão naturalmente misturadas à sua cultura. Assim, independentemente da fé, praticamente todo brasileiro usa palavras e expressões cristãs apenas de modo cultural. Celebram-se Natal, Páscoa e tantos outros feriados sem sequer saber do que se tratam; e assim as figuras de Jesus, crucifixos, Bíblia, e tantas outras, acabam tendo um uso meramente folclórico – até o nome de Deus. Por isso, se não houver uma fé real e profunda, corre-se o risco de simplesmente continuar a venerar e usar símbolos religiosos, mas vazios de significado.

Nossa cultura “gospel”. Boa parcela do meio evangélico tem procurado apresentar uma fé extravagante e emocional ao extremo. Querendo demonstrar uma maior dependência de Deus, usa seu nome pra quase tudo, repete-se muito, fala-se muito, canta-se muito, mas tudo isso já sem muito significado e profundidade. Jesus ensinou a não usar de vãs repetições, como aqueles que pensavam que pelo muito falar seriam ouvidos (Mt 6.7,8); hoje essa ênfase parece estar nos cânticos. Com isso também se atribui muita coisa a Deus que nunca sequer foi mencionado nas Escrituras, colocam-se palavras na boca de Deus e acabam moldando Deus aos seus próprios desejos, formando, assim, um ídolo ao invés de adorar o Deus que é. A reverência diante da grandeza de Deus deve nos levar a uma atitude humilde diante dele, como bem orienta o texto de Eclesiastes 5.1-7.

O culto hipócrita em geral. Talvez muito se sintam aliviados por não se considerarem parte do descrito acima, mas também podem acabar banalizando o nome de Deus quando suas práticas são opostas ao que declaram sobre Deus em seus cultos, por mais corretos que pareçam ser. O texto de Isaías 1.10-17 condena essa prática de um modo muito duro. Vê-se que a questão não está apenas na liturgia e celebrações corretas, mas na atitude dos adoradores com suas próprias vidas, que é o que realmente expressa adoração a Deus. Ou seja, é possível ter uma liturgia e um culto em moldes considerados corretos, mas ainda assim vazios com o nome de Deus sendo usado em vão.

Por fim, o que este mandamento quer ensinar é que devemos nos relacionar com Deus com seriedade e profundidade, o que também nos leva a uma atitude humilde e sincera. Nas palavras de Miquéias:

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus”. (Mq 6.8)

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