Êx 20.12

Honra ao pai e à mãe

Os primeiros quatro mandamentos falavam da relação do povo com seu Deus, relação que até considero até simples, embora profunda, objetiva e séria. A partir do quinto mandamento o foco começa ficar sobre a vida em sociedade, e o primeiro deles fala não sobre algum governo ou mesmo um líder religioso, mas sobre a honra aos pais. Este, inclusive é o primeiro mandamento com promessa: a promessa de longa vida na terra que ganhariam.

“Honrar” traz a ideia de distinguir, tratar com consideração e respeito, obedecer, valorizar, etc. É interessante que os preceitos sobre a vida em sociedade comecem pelo modo de se reconhecer o papel dos pais em suas vidas como filhos. O que pode ser aplicado primeiramente aos biológicos, mas também a todos os que contribuíram na formação das pessoas e do povo. Não é raro que os antepassados do povo sejam citados como “vossos pais”, tanto para bons quanto para maus exemplos (como no Salmo 78).

Porque a vida de um é prolongada pela honra que concede ao outro?

Os pais são nossa fonte de vida, nossa primeira sociedade, nossos primeiros professores; são aqueles que nos dão e que nos apresentam a vida. Assim, honrá-los significa também honrar nossas raízes. E se queremos valorizar nossa vida de modo que valha a pena que ela seja prolongada, devemos começar por sua fonte.

Mas também são os pais que causam nossos primeiros traumas, passam costumes equivocados e privações que acabarão influenciando muito em nosso jeito de ser, inclusive de modo prejudicial em muitos casos. Sobre isso a psicologia tem estudado bastante, trazendo conclusões até desconcertantes sobre o assunto, mas que comprovam a profundidade dessa ligação entre pais e filhos.

Isso dá uma boa indicação do motivo para se começar os preceitos da vida em sociedade pela valorização dos pais.

Quando há um bom relacionamento entre os pais e os filhos, isso tudo fica muito claro e os filhos sentem mais facilmente a necessidade de tratarem seus pais com respeito e honra. Esses pais procuraram adquirir e passar sabedoria e prepará-los para a vida, mesmo com as dificuldades e limitações de cada um. Creio ser esse o ideal para o relacionamento entre pais e filhos.

Há também aquele relacionamento que não é tão tranqüilo. Maiores limitações dos pais, por vários motivos, tornam-nos mais distantes ou mesmo agressivos. Podem-se reconhecer coisas boas, mas há uma grande luta com as influências ruins que possam ter vindo dos próprios pais. Um filho pode reconhecer o esforço e as limitações, enquanto outro pode tornar-se rebelde e querer culpar os pais. Entretanto nenhum dos dois deixa de ser filho e, por isso, aquele conseguir se entender melhor com seus pais terá melhores chances de lidar com sua própria vida também. A honra conferida aos pais, mesmo diante das turbulências, será refletida também na vida turbulenta do filho.

E há ainda aqueles casos onde essa relação foi totalmente destruída, seja pela morte dos pais na primeira infância dos filhos, ou, pior, as situações onde os pais tenham sido maus para com eles. Nesses casos deve-se olhar para os pais de fato, para aqueles que realmente cuidaram e formaram a pessoa. Fazer parte de uma família, ou de um grupo é muito importante para todos, assim como valorizar sua própria história dentro dele. É muito importante reconhecer e honrar os que foram pais de fato, lembrando que eles, biológicos ou não, é que são o início da nossa própria vida.

Nem todos seremos pais, mas todos somos filhos, e honrar nossos pais, mesmo com as dificuldades que possa haver, é honrar também a nossa própria vida – a qual queremos que seja longa. Essa é a vontade e a promessa de Deus para iniciarmos nossa vida em sociedade.

Há muito mais para se escrever sobre esse assunto, mas espero que essas primeiras reflexões possam gerar outras.pés bebê e pais

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