Uma das atitudes mais poderosas da vida de uma pessoa é agradecer. Para agradecer é preciso:

  • Reconhecer que precisava de algo,
  • Reconhecer que recebeu algo,
  • Reconhecer que o que recebeu não veio de si mesmo,
  • Reconhecer a fonte de onde veio o que era preciso,
  • Responder a isso de forma positiva internamente,
  • Expressar essa resposta externamente,
  • Devolver um pouco dessa alegria pelo que foi recebido no ato de agradecer.

Essas atitudes nos levam para além de nós mesmos, leva-nos a reconhecer nossas limitações e o quanto precisamos do relacionamento com o próximo e com Deus.

Temos uma tendência egoísta de pensar que somos auto-suficientes e que sempre podemos dar um jeito. Às vezes esse sentimento leva a nos isolar atrás da conhecida frase “cada um com seus problemas”, mas quando reconhecemos que precisamos de alguém, entendemos também que outros precisam de nós.

Outra tendência ligada ao egoísmo é o de considerar que as coisas boas que recebemos são obrigatórias, afinal, é óbvio que merecemos receber coisas boas sempre. Esse pensamento nos leva até a desvalorizar as coisas boas que recebemos, pois são apenas o que deveriam ser – pensamos.

Quer um exemplo?

Quando recebemos algo ruim, é comum pensarmos: o que eu fiz para merecer isso? Mas dificilmente fazemos essa pergunta quando recebemos algo bom.

Quando adotamos uma atitude agradecida, valorizamos o bem que recebemos e o bem que podemos fazer aos outros e, ao valorizarmos o bem, nos sentimos mais fortes também para superar o mal. E isso até por questão de proporção. Li uma história esses dias que dizia o seguinte:

Um sábio encontrou um jovem que estava sempre reclamando da vida – ele realmente tinha vários motivos para reclamar – e dizendo que gostaria muito que seus problemas diminuíssem para que pudesse ser feliz.

Ouvindo isso, o sábio pediu que o jovem enchesse a mão de sal, jogasse num copo d’água e bebesse. Ele fez isso e imediatamente cuspiu a água, dizendo: é horrível!

Então o sábio o levou para a margem de uma represa que ficava na vila e pediu novamente que a enchesse de sal, jogasse-o na água e depois bebesse. O jovem fez isso e, ao beber da água, praticamente não sentiu o sabor do sal, considerando a água muito refrescante.

O sábio explicou que o que mudou não foi a quantidade de sal, mas a quantidade de água. No copo havia pouca água, então o sal tornava seu sabor horrível; mas na represa havia muita água, então a mesma quantidade de sal mal era notada.

 A falta de gratidão nos fecha em nós mesmos, como se fôssemos um copo d’água perto de uma represa. A falta de gratidão também impede que valorizemos o bem que recebemos, considerando-o não mais que uma obrigação da vida. Assim, o mal que recebemos acaba ficando muito mais evidente, fazendo com que a vida nos pareça intragável.

Entretanto, a atitude agradecida nos liga a outros que buscam o bem, à própria vida e a Deus, o que faz aumentar imensamente nossa ligação com o bem. Deixamos de ser pequenos copos para fazer parte de uma represa.

O mal é inevitável e vem sobre nós em várias formas e de modo muito real, mas se a nossa experiência de vida for mais ampla, ele terá bem menos influência sobre nós. Poderemos até transformá-lo em bem, aprendendo a superá-lo, nos tornando mais fortes e capazes, inclusive de perdoar. Como disse José aos seus irmãos depois de tantos males que ele lhe fizeram:

Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos (Gn 50.20)

Jesus também expressou esse conceito sobre o bem ser mais valiosos que o mal quando falou da parábola do trigo e do joio (Mt 13.24-30), que pode ser resumida da seguinte forma:

Um homem semeou boa semente de trigo num campo, mas, quando se ausentou, um inimigo plantou também o joio no mesmo campo. Quando o trigo começou a crescer, os servos perceberam que havia joio misturado, era um erva daninha. Perguntaram, então se o senhor queria que eles já arrancassem o joio, mas ele respondeu o seguinte:

– Não! Para que, ao separarem o joio, não corram o risco de arrancar o trigo.

A erva daninha era agora inevitável no meio do trigo. Mas o trigo era tão importante que ele preferia manter o joio a correr o risco de danificar o trigo. No momento certo, quando o trigo cresceria muito mais que o joio, a diferença seria mais evidente e a separação seria feita.

Todos passam por dificuldades na vida e sempre haverá muitos males nos atacando e influenciando. Mas a perspectiva que temos da vida como um todo é que determinará o quanto deixaremos que eles estraguem nossa vida. A atitude agradecida nos leva a reconhecer o bem que recebemos e a ir além de nós mesmos, nos ligando a Deus e ao próximo, e isso dá o verdadeiro sabor da vida.

Reconheça o bem.

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Agradeça por ele.

Supere o mal.

 

 

 

(na foto, Maria Luísa ensinando a Evelyn a andar sem rodinhas)

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